Satélite com tecnologia nacional

2009-11-02 13:31

O satélite SMOS, que a ESA lança hoje para cartografar a salinidade do mar e monitorizar a humidade dos solos à escala global, leva a bordo um processador de dados produzido em Portugal. Esta "Missão da Água" da Agência Espacial Europeia (ESA), orçada em 315 milhões de euros, irá produzir observações globais da hidratação do solo em toda a massa terrestre e da salinidade dos oceanos, com aplicações práticas em áreas como a meteorologia, agricultura, pescas e gestão dos recursos de água.

Os dados a recolher pelo SMOS (acrónimo em inglês para Humidade do Solo e Salinidade Marinha) servirão para definir modelos físicos do comportamento do clima a nível planetário, a partir dos quais será possível extrair indicações sobre as correntes oceânicas, a desertificação, o degelo das calotas polares ou a previsão de fenómenos meteorológicos extremos.

O envolvimento de engenheiros portugueses no projecto começou em 2003, depois de um consórcio formado pela Deimos Engenharia e a Critical Software ter ganho um concurso europeu para o desenvolvimento do processador de dados de um radiómetro interferométrico de micro-ondas produzido em Espanha.

"Foi necessário criar todo um algoritmo bastante complexo para interpretar fisicamente os dados recolhidos pelo satélite e os traduzir em grandezas inteligíveis e utilizáveis", disse à Lusa o director da Deimos Engenharia, Nuno Ávila.O satélite será colocado numa órbita polar, a 758 quilómetros de altitude.


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